SINOPSES
d'O

A Marquesa d'O...
Não é novidade que gostamos de clássicos. No entanto, temo-nos contido sobre o tema. Ainda só Vos maçámos com a "Águia de duas cabeças" e com "A fera na selva". É pois chegado o momento de mais um post erudito.
Não que tenhamos qualquer compulsão temática. A culpa desta escolha até é Vossa...
É que a nossa dissertação sobre o vocativo despertou reacções diferentes: umas reclamando maior importância para o "Ó"; outras penalizando a falta de erotismo do tema.
Propomo-nos então corrigir as falhas, homenageando o "O" literário, habitualmente associado a um certo erotismo.
Começando com um clássico de salão. De Kleist, A Marquesa d'O...
A Marquesa d'O..., senhora de excelente reputação, viúva e mãe de dois filhos de uma perfeita educação, fez saber pelos jornais que ficara grávida sem o seu conhecimento, que o pai da criança que iria dar à luz se devia apresentar e que, por razões de natureza familiar, se encontraria na disposição de casar com ele.
Esta senhora que, sob a pressão de uma circunstância irremediável, assim se expunha ao ridículo público com um passo tão estranho quanto convicto, era filha do Comandante da Cidadela, que prontamente a expulsou quando tomou conhecimento da misteriosa gravidez.
Tempos antes havia recebido um inusitado e insistente pedido de casamento de um oficial russo que a tinha salvo das más intenções dos soldados que invadiram o Castelo onde habitava.

Daria à luz uma quimera?
Teria sido Morfeu a engravidá-la?
O outro clássico é um clássico de BDSM...
De Pauline Réage (pseudónimo), História d'O
Consta que o melhor do livro é o prefácio, escrito pela própria autora.
Causou escândalo nos anos 50, altura da publicação.

O é raptada pelo amante e conduzida ao tenebroso castelo de Roissy, submetida a torturas, humilhações e violações colectivas, que aceita resignada por amor aos homens que sucessivamente considera seus amos.

Roissy é a recriação dos castelos do Marquês de Sade.
Os torturadores são anónimos, vestidos com trajes de opereta.
Há vários fins. Num, O transforma-se numa criatura do outro mundo: era pedra ou cera...
Que nos lembremos, só vimos este.