Anatomia de um crime
ou a
fisionomia do criminoso?

O cavalheiro aqui de cima chama-se Lombroso (1835-1909) e é considerado o fundador da antropologia criminal.
Médico-psiquiatra italiano, alinhou no movimento do positivismo sociológico e procurou associar certas características físicas à psicopatologia criminal.
Foi sensível a certos traços fisionómicos dos deliquentes habituais, como assimetrias do crâneo, mandíbulas, orelhas, etc.
E chegou à brilhante conclusão de que havia determinadas características somáticas que denunciavam um "criminoso nato".

A intenção era boa, claro. Pretendia assim contribuir para neutralizar o perigo que para a sociedade representam certos indivíduos. Provavelmente os mais feios...
Felizmente, a precaridade do método científico utilizado foi prontamente denunciada.
Um certo "racismo científico" mal disfarçado.

Uns anitos mais tarde, já na década de 70, começa a ganhar especial fôlego a psicologia das emoções.
E mais um cavalheiro, de nome Ekman, inventa o Facial Action Coding System, que serve, ainda hoje, para interpretar, no plano psicológico das emoções, a expressão facial.
Uma espécie de autópsia psicológica da expressão facial, estais a ver?

A razão de toda esta lenga lenga foi a estupefacção que nos causou ouvir de um suposto especialista em psicologia forense a afirmação - como se fosse apodíctica - de que não sei quem, com quem nunca esteve sequer, sabe tudo o que se passou a propósito de um certo crime.
Isto à conta de umas quaisquer incongruências faciais que surpreendeu numa entrevista televisiva dada por esse não sei quem.
Estupefactos, mas esclarecidos. Basta, portanto, consumir todos os telejornais para adivinhar o culpado. Método científico de excelência, não haja dúvida.
Mas também não gostámos da cara dele. Mais aquelas expressões de chico-esperto. Alguma deve ter feito...
E depois, nada de exageros. O penteado também tem muita importância indiciária.
O pentado e as patilhas.